anti-hedonistas (de merda)
sub city
moment’s notice
unorthodox
young and pure
I think about a world to come
this living wreck will come again
A praça central da cidade era um refúgio visível à correria e ao sufoco dos estreitos e cheios calçadões do bairro, e trabalhadores cansados dividiam espaço com turistas carregando câmeras e idosos jogando baralho ou dominó. Gabriel sentou-se em um dos bancos, esperando pelo horário de suas aulas de francês com insuportáveis alunos de escolas particulares com absolutamente nada à se preocupar, apenas com qual viagem iriam fazer nas férias seguintes, ou qual ração seus cachorros deveriam comer. Gabriel, após mexer desajeitadamente em seu ondulado cabelo castanho, tirou um cigarro e, antes de acender, foi interromido de seus devaneios por um homem, com uma aparência de desequilíbrio mental e com uma bíblia na mão, tentando entregar-lhe um panfleto. Para evitar qualquer prolongamento daquela interrupção, prontamente pegou o papel – que aclamava as vitórias do poder da fé cristã e todo aquele velho discurso que se arrasta desde remotos tempos em diferentes embalagens sociais para que os humanos insistem em chamar de fé, e que no fundo é só a tentativa de sentir que sua vida é permeada por algum sentido ou base que faz dela de tremendo valor. Para Gabriel, era absurdo pensar nisso – a vida por si só, estar aqui, vivendo, rodeado por infinitas possibilidades, aquilo já era o sentido. Querer mais, em sua realista visão, era inerente aos ignorantes, aos pobres de conhecimento. Viver sem qualquer tipo de amarra, independente. Gabriel levava essa filosofia – por si só constituindo uma profunda crença e um traço visível e forte de sua identidade – por meios extremados e isso transparecia em sua falta de paciência com relacionamentos, no medo que nutria em sua vida social. Tinha aversão das pessoas, que crescera durante os ultimos meses de forma assustadora, mas bastante sociável. Mas seu medo também direcionava-se para a solidão – e, mesmo sendo solitário por concepção, estava cansado daquilo ser quase uma regra. De criar justificativas falsas para não se envolver com ninguém. Sentia-se em um pesado purgatório mental, sentia culpa e sentia que nunca tinha tido nada verdadeiro com ninguém - e recorria ao extremismo para justificar isso que não era inteiramente verdade.
Citação: Mudhoney - Living Wreck
to nowhere
just a lonely unstable boy
who will connect me with love?
empty bottles, spent cigarettes
vento no litoral
onde as ruas não tem nome
She interrupted the deep breath he was taking after some thoughts on what he had just made the night before, and would whisper in his ears: ‘I still love you’.
In the opposite way of the mistaken promises lots of teenagers made every day about loving another person and wanting to be forever with that particular one – all product of that shallow ridiculous relationships – their love wasn’t false. They both shared it for a long time and they had gone throughout a rocky road of a tumultuous relationship. But they were still there, waiting to finally be together.
Even though they both wished to be together, at the same time, there was something stopping them from doing so. Something really strong…
That old teenager urge of being free.
