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confusão rotineira

Há algo inerente ao meio dia-a-dia. É ao conhecer novas pessoas e ao me encantar por elas. É ao me encontrar com alguém com quem divido sentimentos há muito tempo mas não compromisso. É ao ser abordado por uma pessoa de maniqueísta que, ao menos para mim, já tinha saído do cenário há muito tempo - mas na verdade, ainda não saiu completamente.
Sou, por definição, confuso em questões sentimentais. A realidade que insisto em defender é recompensada por insegurança em relacionamentos. Tenho medo de desagradar, me arrependo sem conseguir dizer desculpas - analiso cada movimento, como num jogo de estratégia, onde o objetivo é não magoar ninguém e ainda sair ileso. O que é quase utópico. Essa insegurança se transmite pela coberta que insisto por em que realmente estou sentindo, por meio de isolamento ou clássico fingimento mesmo. Isso nunca me ajudou em nada, mas, ainda assim, não consigo me sentir bem vulnerável, e, ainda tenho essa idéia retardada de que vulnerabilidade e insegurança são sinônimos. Acabo parecendo frio.
Não gosto de compromissos ou drama, e tendo a deixar isso bem claro. Isso acho positivo. Discuti isso no roteiro de um filme que termina e continuo defendendo a tese de que não amarras destroem relacionamentos. Tem um, não meu, que está próximo do fim e tal fim respingou em mim, com o reaparecimento de um fantasma. Aí complica. É óbvio que continua sendo não como resposta, não é mais 2009 e recusei ficar na fila dos estepes. Mas nem foi a falta de caráter [decorrente de uma fortíssima insegurança] que me surpreendeu, e sim minhas reações pessoais que sucederam.
E ainda não sei o que fazer, nem em relação à isso, que caiu como uma bomba, nem com relação à partida, nem com relação a todo o resto. Na verdade, minha própria confusão cria mais confusão... mas venho achando que preciso de alguém completamente novo, fora de tudo isso, porque essa tal transição parece nunca acabar. Sinceramente, não sei.

look how he dances

Me arrependo de não ter ido aí te ver. E muito. Perdi dois dias extras que teria antes de você finalmente ir, e, depois de passar quase duas horas no telefone conversando sobre coisas tão bobas como conversávamos antes, bem no início, aquele delicioso início que principiou nossa relação, um sorriso acendeu ao meu rosto quase que instantaneamente, e por pouco não acompanhou lágrimas. As saudades que estou sentindo de estar ao lado de alguém que, acima de tudo, foi meu amigo e me amparou nos momentos que mais precisei não vão ser traduzidas aqui por palavras. Talvez quando eu te ver outra vez e puder de dar quantos abraços e beijos quiser até tu ir embora, talvez aí eu consiga transcrever. Mas certamente não vão curá-las, muito menos vão curar as que vão advir quando você finalmente passar o tempo que precisar fora daqui, suprindo sua necessidade de experimentar, conhecer e admirar todo esse mundo gigantesco.
Aprendi bastante contigo, e minha memória se enche de ti. Passei a não só admirar o que você admira, mas, a te admirar. Mas sei, e sempre tive isso em mente, que relacionamentos são passageiros. E com cada transição de um para outro, tomam-se lições.

he brings the light...
and he catches me again.

Citação: Kasabian - British Legion

como reagir ao seu lado?

É uma tese bem aceita pela crença popular que as pessoas nascem com uma predisposição para certa atividade. Alguns, para certo esporte, por exemplo. Outros, por ciências exatas. Alguns por pessoas. Venho recebendo pistas suficientes para me convencer de que a predisposição de lidar com pessoas não é uma das que acompanham, ao menos não naturalmente. É fácil para mim fazer amizades, desenvolver conversas [que com freqüência terminam em discussões pela minha falta de tolerância com opiniões opostas as minhas], até aprofundar relacionamentos interpessoais. Mas existe um certo limite para meus relacionamentos. Não sei reagir a confissões, não sei comentar com naturalidade um sentimento por outro alguém, não sei como responder a algo bonito que me dizem - mesmo sentindo algo parecido. Não sou espontâneo quando o assunto é pessoas. Não me vem como impulso - e, quando quero dizer algo a alguém, treino até já não ser algo que vá dizer com naturalidade, e sim algo ensaiado, beirando a falsidade. Preciso ensaiar meu impulso, deixá-lo fluir. Vai ver não nasci para pessoas, vai ver é solidão [não necessariamente num sentido negativo] o que me conduz e os outros acabam atrapalhando. Ainda assim, me recuso acreditar nisso.
É frustrante dar como resposta a alguém por quem sinto certa afeição uma assentida ou uma leve mudança nos lábios. Talvez a pessoa até perceba, mas falta algo. Eu sei que falta porque, se até para mim falta, imagina para a outra? O que me deixa ainda mais frustrado sobre toda essa situação é que já tentei mudar - superficialmente, mas tentei. Porém as vezes percebo, mesmo com desconfiança, que é um traço basicamente irreparável da minha [quase] gelada personalidade. Me chamam de frio, dissimulado. Frio não sou, dissimulado não completamente. Talvez possa transparecer os dois, principalmente para os mais externamente sensíveis [adendo: eu sou sensível, e muito, internamente], mas acho que se eu conseguisse transportar parte dos meus sentimentos como gestos e palavras ditas, não mencionariam tais conclusivos e errôneos conceitos sobre mim. Em geral não me importo muito com a opinião alheia [na verdade, é raro eu me importar com a opinião de desconhecidos], porém sei que esse tipo de retração me afasta de muitos, e já me afastou de tantos... não é desistência, não é falta de vontade. É só algo que não me é natural. Não peço que todos entendam isso, mas acho que quem me conhece deveria levar em conta. Bom, essa nem era a premissa do texto, de qualquer forma.

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E como deveria funcionar quando eu começo a gostar de alguém? Como eu deveria reagir ao seu lado, se é que há forma correta, como se eu conseguisse arquitetar e planejar algo, prevendo todas as possíveis falhas e acertos [como é de costume próprio] ao ficar olhando para você e curtindo sua risada. Não sei se existe fórmula correta - na verdade, sei que não, e nem vou me estender nesses provérbios românticos ridículos e sem nenhuma noção realista [mesmo sentindo certa vontade] aqui. Até porque estou apenas gostando de você, sem nenhuma carga. Queria ficar mais perto de ti, e, quando estivesse perto, me sentir realmente próximo. Mas, bom, é só o início - e ainda tenho que descobrir como administrar isso com uma amizade.

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Me sinto bem e ao mesmo tempo perdido. Sinto que estou indo pelo caminho certo, mas ainda assim falta algo que agora parece tão inexoravelmente necessário, algo que nunca antes precisei.

pano de fundo


você me quer? você cuida de mim?
mesmo que eu seja uma pessoa egoísta e ruim?
você me aceita, e me dá a receita
de como conviver com um monstro mesquinho e careta?
você me respeita, não grita comigo...
...mesmo que eu tente tudo pra te irritar

você tem que entender
que eu sou filho único
que os filhos únicos são seres infelizes

eu tento mudar... eu tento provar que me importo com os outros
mas é tudo mentira (tudo mentira)
estou na mais completa solidão
do ser que é amado e não ama

Filho Único, do eterno Cazuza

how long can you miss someone?

Me pergunto até quando isso durará. Criei um compromisso de não ficar mal por qualquer coisa que fosse acontecer em relação ao sentimento que criei, mas o compromisso se mostrou falso ao não conseguir mantê-lo. Agora estou irritado com minha rotina e com minhas atitudes em relação à outras pessoas, e não vejo meios viáveis de consertar relações que mantive tão bem por certo tempo. Me sinto perdido e sem nada em que me apoiar, já que minhas amizades mais fortes foram enfraquecidas. Queria poder parar elas em certos momentos para que elas continuassem tão fortes e próximas como eram, mas é um pedido impossível e até meio hipócrita de se fazer, porque eu fui um dos motivos centrais que as enfraqueceram.
Quero coisas novas mas ao mesmo tempo não quero me desligar do que me fez tão bem. Estou em terreno instável que eu mesmo desnivelei. É incrível como demoro para me aproximar de alguém e como sou rápido em me afastar. Não quero mais tanto peso em minhas costas, mesmo sabendo que toda a culpa não é minha...

Citação: Blood Red Shoes - Say Something, Say Anything

fuga

Ele continuou correndo. Correndo pelas sujas ruas do centro, enquanto as dúbias luzes da cidade iam o chocando contra insolvíveis dúvidas. Estava tudo meio nebuloso e tudo parecia meio pesado demais para ele aguentar. O aroma típico de fumaça fazia ele entrar em um estado nostálgico e depressivo, e as cores estavam limitadas ao monocromático tom do preto de branco. O caminho já não era mais concreto, e as pessoas já não eram tão perceptíveis. O senso de controle se esvaia enquanto suas pernas começavam a doer. Ele parou. Parou e olhou para o abismo que se estendia ao fim da avenida. Perdia o interesse pelas velhas e repetitivas conversas, pela mesmice da rotina que impregnou. Não queria voltar pra casa, ou para qualquer lugar. Não sabia mais o que queria, não tinha mais certeza de nada na verdade. Tudo parecia tão afastado e o sentido do resto estava acabando. Precisava sentir algo real, e a adrenalina da fuga já não era suficiente. Não era sua intenção essa sensação de perda, solidão e irritação; porém era inevitável... ele queria era se despedir de tudo, estava com vontade de algo que não sabia ao certo se existia. Porém, ao perceber, pelo fim da mesma triste avenida, a ponta do que se extendia o infinito escuro mar, viu que sempre haveria uma saída. Só o restava achá-la.

quase hipocrisia

Não consigo mais entender muitas coisas, não como eu as fingia entender. Antes tinha em mente que era tudo plano e sem muitos mistérios, que as pessoas fantasiavam e idealizavam tudo demais, não entendia como elas aguentavam tanta ficção. Essa visão unidimensional das coisas está se provando totalmente errada, ao passo de todo o resto. Isso ilustra a percepção de que nunca soube muito bem como lidar com as outras pessoas ao meu redor e seus modos de pensar e agir, e não gosto nem um pouco de sentir grande frustração advinda dessa inabilidade.
Me sinto perdido e confuso, mas talvez me sinta, principalmente, sensível. É, definitivamente; me sinto sensível e propenso à instabilidade. Corroborei minha ideologia pessoal com a vulnerabilidade que me invadiu e [ainda] sinto como se sempre estivesse distante de todos e que nunca vou ter algo real [e que funcione] com alguém. Já me senti assim antes e é difícil transpôr tais sentimentos em ações, primeiro porque há uma barreira imperceptível que me deixa involutariamente retraído e segundo porque as pessoas simplesmente parecem muito complicadoras para um envolvimento. Tal ponto de vista mudou extremamente nos últimos tempos, porém ainda assim não tenho um comportamento condizente com essa mudança. Essa falta de crença na complexibilidade de meus relacionamentos agora se volta contra mim; e não da forma de alguém e sim na forma de pensamentos contraditórios.
Eu estava bem antes, talvez imerso em uma sensação superficial de bem estar, mas... já livre de qualquer peso que adquiri. Porém fui atingido por algo - alguém, dessa vez - inesperadamente, e de um modo inimaginável. Pode ter me tirado desse estado de bem estar porém me fez ver as coisas por um prisma novo e deixou oportunidade para uma mudança de atitude a longo cobrada por algumas pessoas que convivem (ou conviveram) comigo. Não vou - nem quero, de modo algum - mudar minha essência, mas quero ficar próximo das pessoas, e as pessoas com as quais eu tinha verdadeiramente mais proximidade foram afastadas de mim... o que dificulta ainda mais as coisas. Com esses amigos aprendi a, aos poucos, como me aproximar de alguém, e com eles dividi confissões profundas e momentos inesquecíveis. São as coisas pequenas, sabem. Sempre me apoiei um pouco nessas coisas pequenas - um simples toque, o modo que sorriem para mim, o modo como as palavras são ditas. Nunca fui do tipo exagerado - demonstrações grandes de afeto sempre me pareceram muito forçadas.
Depois de um bom tempo recusando a fórmula limitada do compromisso, agora me vejo ansiando por apenas uma pessoa, ao ponto de não conseguir pensar em mais ninguém - no sentido da atração. Estou assustado e instável, quase que inflando uma paranóia sentimental que nunca tive e nunca pensei que teria. Estou bem por isso... pena que implica desestruturar outras coisas que são de suma importância.

there's something really fucked up...

...about this whole situation.
nobody told me this, but I quickly assumed.
but anyhow I don't trust very often on opinions about relationships
since most of the people always idealize so much the feelings
they have for someone else...
...and I'm just not one of those idealistic persons when it comes to the other one.
what is most fucked up about all of this is that...
...when it comes to you, I become one of those foolish idealistic people.
(and while that makes me happy, it also scares the hell out of me)

o eu irreconhecível

Eu não estou reconhecendo o jeito que venho agindo e o modo que venho pensando nas últimas semanas. É como se houvesse sofrido uma blindagem emocional ao contrário, porque tudo parece estar girando em torno de uma coisa... que pode ser o preceito de um sentimento ou realmente algo real, se bem que isso não importa muito, o que importa é o fato de eu estar absurdamente bobo por alguém. Eu já fiquei assim antes, mas nunca me submeti a tal nível de exposição pessoal - estou muito incomodado porque é a primeira vez que eu gosto de alguém e demonstro isso abertamente. Particularmente não gosto de aparentar fraco e indefeso aos outros, ou até mesmo sentimental, porém está sendo, por algum motivo desconhecido de minha parte, inevitável. Sinto como se eu próprio houvesse ultrapassado o limitrofe dessa exposição, e definitivamente não gosto disso. Mas não há como voltar atrás, e nem sei se, caso fosse possível voltar, mudaria muita coisa. Na verdade é que estou gostando bastante de tudo isso, porque parece autêntico e é preciso mais do que algumas palavras - nunca disse que iria ser fácil com você; você infantil, inexperiente e retraído pessoalmente. Hoje confirmei o que suspeitava, e estou em estado de êxtase interno - contido, claro.
Também sinto que estou em um divisor de águas pessoal. Estou ao ponto de trocar coisas já antigas e seguras na qual sempre manti como meu apoio (não como um estepe; não sou desse tipo) e pelas quais sempre mantive um pé atrás em relacionamentos sérios por alguém instável e bastante diferente de mim. Não estou me entendendo - sempre fui racional e pé no chão, parece que estou abandonando todos meus ideais, ou ao menos um estilo de vida. Me afastei dessas pessoas e só sinto vontade de conversar com eles atualmente, e isso seria algo inimaginável para mim há pouco tempo atrás. Mudança é bom; aceitar riscos de vez em quando é bom. Estou corroborando meu ponto de vista e trocando minha rotina por alguém; minha independência está sofrendo um forte baque e às vezes sinto como se minhas passadas frustrações amorosas estão sendo colocadas em jogo ou mesmo transpostas agora como forma de compensar os erros passados. Não me arrependo de muitas coisas, e mesmo que tivesse apostado as fichas em algum romance no passado, sinto que não teria crescido tanto como cresci mentalmente. Hoje, porém, é um momento diferente e me sinto pronto para encarar algo mais sério - talvez essa coisa de 'quando você encontrar alguém certo vai saber' é pura ladainha, porque a verdade é que às vezes temos que pular de cabeça e abandonar qualquer que seja nossa tradição pessoal.
A verdade é que mudar é importante e estou bem por estar mudando. Mas ainda sim tento me controlar, não quero ser levado pela correnteza de alguém que não seja eu mesmo - não é do meu feitio. E, apesar de estar um pouco irreconhecível para mim mesmo, talvez eu esteja me descobrindo mais - descobrindo novas façanhas internas, novos sentimentos, novas possibilidades. E nunca me senti tão pronto para isso como agora.

if it's hurting you, than you know it's hurting me

Depois do que aconteceu ontem, confirmei o que já suspeitava há bastante tempo: eu ainda não sei nada sobre relacionamentos. Nada - e, é com essa falta de conhecimento, que continua errando, e errando feio. Eu ainda não entendi como nós nos beijamos no meio daquelas milhares de pessoas, mas tenho minhas suspeitas quanto ao porquê. Já fazia mais de um ano que nós não dividíamos um momento assim, e nem era especulado (ao menos não por mim) que íriamos dividir outro. O senso de tempo que me pertencia se autodestruiu com tal acontecimento, mas de qualquer forma estava se esvaindo. Finalmente pude entender tudo o que você me disse naquele dia, e tudo tinha sua parcela de verdade. Apesar de o erro que eu cometi, há um ano atrás, tenha sido não proposital, suas referências ao meu caráter afastado e egocentrico eram, de qualquer forma, verídicas.
Mas foi ótimo o que passei com você. Tardes passeando pela praia com seu cachorro que sempre resultavam em entrar no mar ou se esconder entre as árvores, enquanto eu explorava um pouco mais do que havia por trás da sua timidez. Extrema timidez - que fez você aparentar frágil aos meus olhos. Mas definitivamente estava muito menos frágil do que eu estava. Lembro de, no dia em que ficamos pela primeira vez, estar razoavelmente influenciado pelo álcool e ter ficado no meu canto na frente da casa onde a festa estava tomando lugar. Você apareceu e estava um pouco menos bêbado, e começamos a conversar sobre qualquer coisa, e rir. Acabamos nos beijando e depois começamos a nos ver mais frequentemente, dividindo discussões acaloradas quanto à música, filmes e séries. Era tudo muito despreocupado e eu estava no meu momento mais despreocupado, e foi algo ótimo. Infelizmente eu estraguei a possibilidade de qualquer coisa ao cometer aquele erro que você detectou e eu nem sabia que estava cometendo ao ter feito. Ainda assim, com sua razão que não entendi no momento mas depois percebi que fora terrível, você terminou prontamente com qualquer coisa que tínhamos. E radicalmente, excluiu todo o contato que tínhamos - rápido e doloroso.
Definitivamente não foi a primeira vez que errei em um relacionamento, e não seria a última. Continuei errando, continuei aprendendo com os erros. Mas as vezes me pego pensando que não aprendi nada, pelo grau dos erros que cometi em seguida - até mesmo, ainda, com você, como cometi no domingo. Não dá, infelizmente, para voltar atrás, nem é possível diagnosticar os erros como verdadeiros, já que eles antecederam uma série de acontecimentos que também resultaram em coisas boas - e mais erros. Sei que vou continuar errando e ainda não venci meu medo e minha incerteza - incerteza essa que me deixa angustiado pelo fato de precisar de certezas e respostas para sanar minha ansiedade. Não costumo ser indeciso, minhas decisões são rápidas e até as vezes impulsivas, apesar de não ser impulso ao pé da letra. Por bem ou por mal os sentimentos não são uma ciência exata e é sempre algo inconcreto e abstrato, mas... sempre estará ali, inclusive o meu por você.

swimming the same deep water as you is hard

Raramente transpareço, mas nutro enorme preocupação com quem me relaciono, seja qual for a relação. Me sinto muito mal quando percebo que errei com alguém, quando deixei a película que envolve minha bolha pessoal atingir outra pessoa. Porém o que mais me aflinge atinge única e exclusivamente à mim: é a sensação (crescente e consistente) de que sempre estou distante das pessoas ao meu redor; como se nunca houvesse me sentido realmente próximo a uma pessoa. E sempre, nem que seja apenas uma parcela, a culpa é minha. O problema é que eu nunca consigo realmente me entregar para alguém, ou para relacionamentos, e acho tal ação inconcebível e em certo ponto impossível de se executar - no meu caso. Veja bem, não estou requerindo em nenhum nível a atenção das pessoas, até porque atenção de pessoas que me importam eu tenho. Muito menos acho que preciso de mais atenção ou de mais pessoas ao meu redor. O que eu realmente preciso é um ajuste pessoal que bom, como o próprio pessoal implica, eu tenho que realizar - e há bastante tempo. Adiei tal ajuste quando ele era inegavelmente inadiável e prolonguei alguns erros e confusões quais não deveria ter prolongado. Hoje entendo o porquê disso e o porquê de eu ainda estar cometendo tal atraso, e, apesar de pretender fazê-lo, não consigo imaginar exatamente o que tal é. O que sei é que ele é necessário e se não ocorrer vai desembocar em um terrível erro talvez maior do que os já cometidos, mas não há razão para pensar tanto nisso.
Distância; abismo; se sentir longe - em um sentido figurativo. Em meus relacionamentos afetivos essa palavra nunca me ocorreu em tom absurdamente forte, mas ela vem ocorrendo significantemente nos últimos meses em amizades, longas ou curtas. Sempre que estou em um grupo de amigos grande percebo o quão emocionalmente eu sou afastado deles e observador que sou, detecto ações entre alguns deles que não realizo com muita frequencia. Minha capacidade de real (observação: forte; verdadeira) aproximação é restrita e pequena, mas ainda assim maior que minha capacidade de demonstrar sentimentos no cotidiano - não que eu queira aparentar frágil à todo momento e em todas as situações. Mas isso não significa, de modo algum, que eu não queira se aproximar - e também não significa que eu não me sinta mal por não conseguir isso. A maioria das pessoas que me conhece além de algumas conversas quebradas vai provavelmente dizer que eu sou seco, egocêntrico e até frio. Pode ser, em algumas camadas, verdade, mas não é um fato consumado. Estava melhorando quanto à certos pontos de minha introversão pessoal, mas regredi bastante... é que a fragilidade me assustou. Por enquanto transfiro meu potencial pessoal para a escrita, que é minha maior terapia, e está sendo há algum tempo - e vai continuar provavelmente por muito tempo como sendo meu principal meio de exposição pessoal.

Citação: The Cure - The Same Deep Water as You